quarta-feira, 11 de maio de 2011

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o garante da ordem pública num espaço urbano onde circulam diaramente cerca de dez milhões de pessoas é um factor essencial preventivo para uma sã habitabilidade e sociabilidade deste mesmo espaço. não raro é ver um número elevado de polícias no metro de Paris, acompanhados de cães e possantes armas.


contudo, o excessivo zelo pela segurança pública incide, também, sobre esse atentado à ordem a que é o de tocar música na rua. Atenção: esta interdição contempla vivamente os espaços destinados ao lazer e convivialidade juvenil, onde não há residentes potencialmente "perturbados" com o barulho da malta, e mesmo que este simples acto (tocar a música) seja feito sem intentos de lucro e exploração capitalista por via da arte e do talento, e cumpra apenas a sua função unificadora universal de pessoas - bom, é proibido.

O beliscão da ilegalidade foi dado no domingo passado, na Pont des Arts (este nome não sugere imediatamente a boémia?). A Pont des Arts é pedonal. Liga as margens do Sena frente ao Palais do Louvre. Tem cadeados que selam amizades e amores.

Ainda tive a feliz oportunidade de experienciar um piquenique composto de vinho, baguetes, queijos diversos, salmão e azeitonas, com acordes de bossa nova à mistura, num ameno pôr-do-sol. Por ora estaria a cometer uma ilegalidade. A polícia é perita em manobras de intimidação: revista os portadores de bebidas alcoólicas e/ou de instrumentos musicais, lê em voz alta o decreto-lei que determina a proibição desta forma de lazer, e em casos mais sérios obriga o jovem a abandonar a ponte.

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