Linha 6: Étoile
Entre Bir Hakeim - Passy, favor olhar para a esquerda ou direita, em função do lugar que tomou ser de costas ou de frente para o sentido que o metro tem, e ver a Torre Eiffel. Lá ao fundo, o Sacré Coeur. Vê se também o Palais de Chaillot (Trocadèro) e pode imaginar-se os Champs de Mars (a fechar o Verão, como as "Águas").
Hoje entrou, de rompante, na carruagem do metro, uma senhora que nos lançou a sua voz quente e nos embalou a viagem na linha 6, por entre os perigosos solavancos de um metro que corre veloz para a estação seguinte. Desliguei o meu iPod para ouvir melhor. Que voz deliciosa. Olhei para trás (de onde vinha a voz), e sorri. Ela sorriu-me de volta. No final passou por todos os passageiros e deu um bejinho na testa de cada um. OK, mentira. Passou para recolher a retribuição monetária voluntária de cada um. A voz da senhora tocou-me o coração e a carteira, concluí, tirando uns trocos para lhe dar. Cantou Tracy Chapman, e depois partiu.
A seguir entrou um senhor (rara ocasião haver tanto artista na carruagem do metro, àquela hora!) com guitarra e voz sonora, talvez demasiado sonora. Pobre infeliz, o de ter aparecido depois d'A VOZ. Satisfeitos por ter ouvido uma voz magnânime, soberba, divina, ouvir a seguir só uma voz normal pareceu quase insuportável. Aumentei o volume do iPod e, quando o cantadeiro passou pelos passageiros para lhes dar beijinhos na testa, vulgo recolher as contribuições monetárias voluntárias, ninguém lhe deu uma moedinha. Há horas infelizes, deve ter pensado.
Eu não me esquecerei da senhora Tracy Chapman.
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