quinta-feira, 16 de junho de 2011

smartfranceses

Em Meknès, pedir indicações na rua era um passatempo engraçado. Abordando um marroquino e perguntando-lhe onde ficava um determinado sítio, logo percebemos, pela repetição da técnica, que seria um ritual que muitas vezes não nos levaria a lado nenhum, não obstante nenhum deles nos dizer "Não Sei". Estas duas palavras juntas numa frase não eram uma opção válida de resposta, ainda que fosse a mais semelhante com a realidade.
Onde é sítio X, por favor?
Esta pergunta podia-nos fazer dar voltas e voltas atrás do marroquino, sendo que com essa pergunta passávamos a bola para o campo do adversário. Agora ele tinha de se desenvencilhar para dar uma resposta, ainda que tudo pudesse culminar numa não-resposta, o marroquino não se deixaria levar facilmente. Ora este é um sinal inequívoco da boa-vontade das gentes de Marrocos, mas às vezes era uma verdadeira maçada. Como daquela vez, Marta, em que tentámos chegar à Cruz Vermelha de Meknès, e passado muito tempo em que ao olhar para a cara do senhor facilmente imaginaríamos um ponto de interrogação imaginário em cima da cabeça, ao estilo BD, ele nos disse: só pode ser em frente, é, sigam em frente. E fomos dar a um bar chamado Château Rouge, e, de facto, o Rouge estava lá, no nome, só faltavam os médicos em vez de bar tenders.
Em Paris o campeonato é outro. Há um traço comum: tal como o marroquino, o parisiense jamais dirá que não sabe. Fará o ar de indagação normal de quem procura a resposta alguras na gaveta empoeirada de uma memória perdida, e depois, e aqui reside a vantagem em relação ao marroquino, socorre-se de um gadget amplamente difundido pela população parisiense, da qual ela parece depender cada vez mais: o smartphone - blackberry ou iPhone.

Ora experimentem chegar a Paris e perguntar na rua onde fica a Rue Faubourg Saint-Antoine. A menos que tenham a sorte de encontrar o Bruno de Antuérpia, colega da residência que desenvolveu um sólido conhecimento da cartografia e toponímia da cidade de Paris, sem igual entre nós, residentes temporários por cá, verão por certo um parisiense a consultar o google maps com a maior prontidão. E geralmente não falha, o que dá imenso jeito: o Bruno já voltou para a Antuérpia.

1 comentário:

  1. epa..lembro-me tão bem!!
    LOLOL
    o simbolo do café tb tinha a forma de cruz e tudo, só podia ser ali xD

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